"O homem tem necessidade de uma vida simbólica". Com esta frase Jung quer chamar a atenção sobre a banalidade de nossas vidas. Em grande medida perdemos os rituais e as práticas cotidianas que importam para a alma. Mesmo pertencer a uma Igreja ou fazer parte de algum culto não garante esta tão necessária vida simbólica. Podemos participar de tudo de forma superficial, repetitiva, automática, até mesmo egoísta e consumista. Religião de supermercado e shopping. Fast-food ingerido rapidamente e com sabores realçados artificialmente. "Somente uma vida simbólica pode expressar as necessidades da alma". Um dos caminhos para se readquirir este estilo de viver é olhando para os símbolos produzidos pelo inconsciente, imagens que brotam do nosso interior e que nos desafiam. Para alguns vale a lei do decifra-me ou te devoro; em outros impera o desejo amoroso da troca e fertilização mútuas. Os símbolos, porém, também aparecem fora, no cotidiano. Falando melhor, podemos olhar o cotidiano simbolicamente, transformando-o em fonte de reflexões e transformações. Jung menciona a existência de cantos nas casas onde se vivia a vida simbólica, como as casas indianas que abrigam, por detrás das cortina, a imagem de alguma divindade que será contactada através de alguma oferanda em algum instante do dia. Este blog é meu canto virtual onde buscarei compartilhar meu olhar simbólico pelo mundo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

6. A Casa do Leo

Um dia absolutamente desalmado. Não conseguimos fazer o que haviamos planejado. Ora por dificuldades técnicas como trilhas inacessíveis, ora por "descuido das autoridades". É impressionante a falta de um guia com os principais pontos de interesse para facilitar a vida do visitante. Nenhuma informação. Fomos atrás. Lugares míticos para os índios Kariri, como o lago da mãe d'água, não foram achados, não por que eram lugares vedados a dois "cara-pálidas", mas porque simplesmente não entendemos suas indicações. Paciência. Entramos na chapada do Araripe. Fomos até Santana do Cariri. Tirando a beleza do lugar nada pudemos ver. Era carnaval, não havia nada! Nem carnaval. Voltamos. Ir agora para onde? Voltar para Crato e Juazeiro do Norte ou ir para um outro lugar? Decidimos entrar em Pernambuco e ir para Exu, cidade do rei do baião. Perguntei a uma mulher onde ficava o centro da cidade. Ela rapidamente respondeu: perto da casa do Leo. Não perguntei onde ficava a casa do Leo, pois já sabia a resposta: perto do centro. Não gosto de looping. Era carnaval, não havia nada! Nem carnaval. Nem um forrozinho pé de serra. Nada. Coitado do Luiz Gonzaga. Em resumo: nada tocou minha alma. Tem momentos que ela fica quietinha esperando os acontecimentos do dia seguinte!


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