"O homem tem necessidade de uma vida simbólica". Com esta frase Jung quer chamar a atenção sobre a banalidade de nossas vidas. Em grande medida perdemos os rituais e as práticas cotidianas que importam para a alma. Mesmo pertencer a uma Igreja ou fazer parte de algum culto não garante esta tão necessária vida simbólica. Podemos participar de tudo de forma superficial, repetitiva, automática, até mesmo egoísta e consumista. Religião de supermercado e shopping. Fast-food ingerido rapidamente e com sabores realçados artificialmente. "Somente uma vida simbólica pode expressar as necessidades da alma". Um dos caminhos para se readquirir este estilo de viver é olhando para os símbolos produzidos pelo inconsciente, imagens que brotam do nosso interior e que nos desafiam. Para alguns vale a lei do decifra-me ou te devoro; em outros impera o desejo amoroso da troca e fertilização mútuas. Os símbolos, porém, também aparecem fora, no cotidiano. Falando melhor, podemos olhar o cotidiano simbolicamente, transformando-o em fonte de reflexões e transformações. Jung menciona a existência de cantos nas casas onde se vivia a vida simbólica, como as casas indianas que abrigam, por detrás das cortina, a imagem de alguma divindade que será contactada através de alguma oferanda em algum instante do dia. Este blog é meu canto virtual onde buscarei compartilhar meu olhar simbólico pelo mundo.

sábado, 12 de março de 2011

3. Marcas do Passado

Talvez muitos já tenham feito sem sabê-lo, no mínimo, passado por cima... Falo isso mais por dedução do que por provas factuais, mas a sensação de caminhar ao lado de pegadas de dinossauros é incrível! Ali estavam as marcas das patas de três dedos de um temido velociraptor (velocirápido na tradução do guia), talvez voltando ou indo de uma caçada. Isto há aproximadamente 150 milhões de anos atrás, sem nenhum ser-humano para testemunhar, mesmo de longe, este perigoso caminhar. O sentimento diante desta antiguidade é de gravidade, não a newtoniana, mas a que sugere valores e reflexões. Eles surgiram e desapareceram. Depois, nós surgimos e ainda não desaparecemos. A vida se movimenta em ciclos e gostei de não poder esquecer disso. Dar maior importância às pequenas coisas que realizamos todos os dias. Quantas vezes ainda poderemos realizá-las? Não eu, mas todos nós.


Pegada de velociraptor (à esquerda)

2 comentários:

  1. Nos assombra saber que antes de nós existia movimento; um golpe no narcisismo egóico saber que as coisas aconteciam sem nossa interferência e por isso mesmo, cheias de encanto e magia !! Fico pensando - como podemos mudar isso ? Infelizmente estamos perdendo a capacidade de nos encantar.

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  2. eu adoro dinossauros e acho que voce deveria colocar algumas fotos voce topa?????

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