"O homem tem necessidade de uma vida simbólica". Com esta frase Jung quer chamar a atenção sobre a banalidade de nossas vidas. Em grande medida perdemos os rituais e as práticas cotidianas que importam para a alma. Mesmo pertencer a uma Igreja ou fazer parte de algum culto não garante esta tão necessária vida simbólica. Podemos participar de tudo de forma superficial, repetitiva, automática, até mesmo egoísta e consumista. Religião de supermercado e shopping. Fast-food ingerido rapidamente e com sabores realçados artificialmente. "Somente uma vida simbólica pode expressar as necessidades da alma". Um dos caminhos para se readquirir este estilo de viver é olhando para os símbolos produzidos pelo inconsciente, imagens que brotam do nosso interior e que nos desafiam. Para alguns vale a lei do decifra-me ou te devoro; em outros impera o desejo amoroso da troca e fertilização mútuas. Os símbolos, porém, também aparecem fora, no cotidiano. Falando melhor, podemos olhar o cotidiano simbolicamente, transformando-o em fonte de reflexões e transformações. Jung menciona a existência de cantos nas casas onde se vivia a vida simbólica, como as casas indianas que abrigam, por detrás das cortina, a imagem de alguma divindade que será contactada através de alguma oferanda em algum instante do dia. Este blog é meu canto virtual onde buscarei compartilhar meu olhar simbólico pelo mundo.

sábado, 12 de março de 2011

4. Onde Estão os Tiranossauros?

Por que os dinossauros fascinam? Talvez pela grandiosa exibição de poder devido a seus tamanhos e suas ferocidades. Tudo neles é hiperbólico: a vibração de seu caminhar, a quantidade enorme de comida necessária à sua sobrevivência e, em contrapartida é óbvio, o volume de seus dejetos. Mas na visita ao Vale dos Dinossauros (Sousa, na Paraíba) pude observar o interesse também gigante do pequeno Mateus, de 5 anos, pelo mundo jurássico. A explicação dos pais foi naturalmente os filmes de Spielberg, poderosos e assustadores. Acho esta explicação pouco confiável. Pode ser que ela explique algo, mas não explica tudo. Seus pais não me pareceram admiradores influentes do tema. A paixão em comum logo nos colocou em contato. Tive que contar para ele, embora deteste destruir a fantasia de uma criança com dados de realidade, pois ela terá o resto de sua vida para aprender sobre ela, que ali não viveu nosso animal de estimação, o tiranossauro rex. Pergunto-me agora: por que falei isso para ele? Acho que foi um desabafo. Que droga Mateus, aqui não tem tiranossauros, vamos ter que procurar em outro lugar! Diante de réplicas em resina de dois rapitores ele não titubeou: de posse de gestos ancestrais, atacou implacavelmente os animais com socos e golpes, reconhecendo certamente um inimigo a ser combatido, caso tivessemos tido a sorte de coabitar com eles. Na volta voltei a fantasiar. Mostrei para ele o que parecia uma pegada na lama com uma linha que eu disse ser a rastro do rabo dele. Ele imediatamente me corrigiu dizendo que aquilo era a marca da garra, pois estava fino e o rabo é grosso. Desculpe-me Mateus, estou ficando velho e esquecendo que a fantasia não precisa ser real, mas sim realista. De volta à sede do Vale dos Dinossauros eis que ele aparece, uma escultura com a silhueta de um tiranossauro rex, inteira e grande bem à nossa frente. Ele mais que depressa correu em sua direção. Sua felicidade só não foi maior porque detrás da escultura (agora revificada pela imaginação) apareceu um cachorrossauro. Tem horas que a realidade só aparece para estragar a brincadeira. De qualquer maneira, sua mãe lhe deu 4 chaveiros com dinossauros. Eu comprei uma camiseta. Os chaveiros eu já tenho.

2 comentários:

  1. Interessante sua iniciativa de postar poeticamente suas vivências -- confesso que estou aprendendo a fazer o mesmo ! Me lembrou um desenho animado de 1975, Hanna e Barbera, chamado Vale dos Dinossauros.. até hoje pode ser encontrado nos 4shared e nos youtubes da vida. Dinossauros ou Tiranossauros são grandes e nos parecem cruéis e violentos, mas não menos atraentes. Há algo nestes bichos que se apodera de nós; será saudades dos tempos longínquos onde a proximidade com o natural arrebatava nossa alma e fazia pulsar nossos corações ante o numinoso ?? Quem sabe !!

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  2. O Mateus é uma parte de nós clamando por alma e por vida -- na inocência e na imaginação tudo é possível !! Que possamos encontrar muitos Mateus por aí a nos lembrar que a vida está em todo lugar bastando para isso nos dispormos a parar e olhar !

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