"O homem tem necessidade de uma vida simbólica". Com esta frase Jung quer chamar a atenção sobre a banalidade de nossas vidas. Em grande medida perdemos os rituais e as práticas cotidianas que importam para a alma. Mesmo pertencer a uma Igreja ou fazer parte de algum culto não garante esta tão necessária vida simbólica. Podemos participar de tudo de forma superficial, repetitiva, automática, até mesmo egoísta e consumista. Religião de supermercado e shopping. Fast-food ingerido rapidamente e com sabores realçados artificialmente. "Somente uma vida simbólica pode expressar as necessidades da alma". Um dos caminhos para se readquirir este estilo de viver é olhando para os símbolos produzidos pelo inconsciente, imagens que brotam do nosso interior e que nos desafiam. Para alguns vale a lei do decifra-me ou te devoro; em outros impera o desejo amoroso da troca e fertilização mútuas. Os símbolos, porém, também aparecem fora, no cotidiano. Falando melhor, podemos olhar o cotidiano simbolicamente, transformando-o em fonte de reflexões e transformações. Jung menciona a existência de cantos nas casas onde se vivia a vida simbólica, como as casas indianas que abrigam, por detrás das cortina, a imagem de alguma divindade que será contactada através de alguma oferanda em algum instante do dia. Este blog é meu canto virtual onde buscarei compartilhar meu olhar simbólico pelo mundo.

terça-feira, 8 de março de 2011

1. Perambulando pela Paraíba - Pedra do Ingá

A primeira parada foi num lugarejo chamado Ingá. Chegamos junto com a manhã e com a vigésima-quarta hora acordados. Fomos lá, a princípio, para dormir. Não encontramos nada aberto. Escolhemos ficar acordados e ir dormir em Campina Grande. Fomos visitar, então, a Pedra de Itacoatiara, cheia de inscrições rupestres que ninguém até hoje decifrou com propriedade. Ninguém sabe o que as inscrições realmente significam. O guia chegou a falar em extra-terrestres como possíveis autores das inscrições. Gente chata estes extra-terrestres, me desculpe se algum estiver acessando a internet, mas vocês vivem querendo levar a fama pelos anseios transcendentais de nós humanos. Repetindo, ninguém sabe ao certo quem fez e quando fez. As inúmeras hipóteses vão desde os hititas, os habitantes da longíngua ilha de Páscoa, localizada no Pacífico, até a expressão de uma antiga civilização que ocorrera no Brasil, mas, que devido a algum tipo de dificuldade, desaparecera sem deixar maiores rastros. Para uns significam muita coisa; para outros, não significam nada, mas é sempre bom estar diante de um mistério.






Na pedra podemos perceber vários sinais. Círculos, espirais, linhas sinuosas, talvez um lagarto, figuras semelhantes a formas humanas, estrelas, sol. Realmente nada impede destes sinais não significarem nada. Um dia alguém desenhou a silhueta de um lagarto. Depois outros o imitaram e desenharam outros sinais. A imitação e a ausência de sentido são algumas características humanas. Prova disso é o sucesso (?) do Big Brother (o uso desta expressão é interessante e merece ser comentada, é uma promessa) com seu incansável desfile de imitações e nulidades. Portanto, afirmar, com certeza, que as inscrições da Pedra de Ingá significam algo é ser tomado por uma compulsão hermenêutica, expressão do filósofo Jacques Derrida utilizada para nomear a busca desenfreada por sentido que encontramos em algumas pessoas. 

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