"O homem tem necessidade de uma vida simbólica". Com esta frase Jung quer chamar a atenção sobre a banalidade de nossas vidas. Em grande medida perdemos os rituais e as práticas cotidianas que importam para a alma. Mesmo pertencer a uma Igreja ou fazer parte de algum culto não garante esta tão necessária vida simbólica. Podemos participar de tudo de forma superficial, repetitiva, automática, até mesmo egoísta e consumista. Religião de supermercado e shopping. Fast-food ingerido rapidamente e com sabores realçados artificialmente. "Somente uma vida simbólica pode expressar as necessidades da alma". Um dos caminhos para se readquirir este estilo de viver é olhando para os símbolos produzidos pelo inconsciente, imagens que brotam do nosso interior e que nos desafiam. Para alguns vale a lei do decifra-me ou te devoro; em outros impera o desejo amoroso da troca e fertilização mútuas. Os símbolos, porém, também aparecem fora, no cotidiano. Falando melhor, podemos olhar o cotidiano simbolicamente, transformando-o em fonte de reflexões e transformações. Jung menciona a existência de cantos nas casas onde se vivia a vida simbólica, como as casas indianas que abrigam, por detrás das cortina, a imagem de alguma divindade que será contactada através de alguma oferanda em algum instante do dia. Este blog é meu canto virtual onde buscarei compartilhar meu olhar simbólico pelo mundo.

sábado, 16 de abril de 2011

13. Contra Golpe

Counter Strike é apenas um dos inúmeros e famosíssimos jogos de computador cuja temática é unicamente eliminar o outro. Segundo seus fãs é pura diversão, visto que as mortes são exclusivamente virtuais.

Esta mão é você eliminando a escória da humanidade.

O perigo aparece de vários lados. Menos do nosso interior.

O Rio de Janeiro foi homenageado na diversão!

Os argumentos dos defensores do jogo são inúmeros. Cheguei a ler que o jogo aumenta o sentimento de companheirismo, visto que vários jogadores podem se unir para derrotar as forças do mal.

Ajudando companheiros maltratados pelos bandidos.





Talvez a conscientização de que você tem direito à escolha também seja um argumento a ser considerado.


O treinamento dos "guerreiros" exige provas duríssimas como, por exemplo, ser capaz de manter a concentração mesmo quando o inimigo lança seres diabólicos para te seduzir e desviar sua atenção.


O treinamento exige ser capaz de abrir mão de prazeres imediatos e "não cair em tentação".

Carl Gustav Jung, em Símbolos de Transformação, ao comentar sobre a importância da energia psíquica não ser desviada para tarefas alheias àquela que está sendo executada, cita um certo ritual indígena onde "havia um costume para os guerreiros, antes de irem para o campo de batalha, girar em torno de uma linda jovem nua que se encontrava no centro do círculo. quem quer que tivesse uma ereção era desqualificado como incapacitado para as operações militares" (par. 220). Não sei se este costume realmente existe ou existiu (Jung não citou a fonte da informação). De qualquer maneira o comentário é adequado ao nosso tema, mostrando que os guerreiros das fotos estão direcionando sua libido para a tarefa empreendida e não desviando-a para o prazer sexual. Detalhe: a luta é virtual, mas as mulheres são reais.

Counter Strike (e jogos afins) não formam gerações de criminosos e bandidos, mas achar que isto não contribui em nada para a formação de valores da personalidade é pensar de forma muito ingênua. É pura violência destiduida de qualquer sentido mais profundo. Não se pensa, se mata!

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