"O homem tem necessidade de uma vida simbólica". Com esta frase Jung quer chamar a atenção sobre a banalidade de nossas vidas. Em grande medida perdemos os rituais e as práticas cotidianas que importam para a alma. Mesmo pertencer a uma Igreja ou fazer parte de algum culto não garante esta tão necessária vida simbólica. Podemos participar de tudo de forma superficial, repetitiva, automática, até mesmo egoísta e consumista. Religião de supermercado e shopping. Fast-food ingerido rapidamente e com sabores realçados artificialmente. "Somente uma vida simbólica pode expressar as necessidades da alma". Um dos caminhos para se readquirir este estilo de viver é olhando para os símbolos produzidos pelo inconsciente, imagens que brotam do nosso interior e que nos desafiam. Para alguns vale a lei do decifra-me ou te devoro; em outros impera o desejo amoroso da troca e fertilização mútuas. Os símbolos, porém, também aparecem fora, no cotidiano. Falando melhor, podemos olhar o cotidiano simbolicamente, transformando-o em fonte de reflexões e transformações. Jung menciona a existência de cantos nas casas onde se vivia a vida simbólica, como as casas indianas que abrigam, por detrás das cortina, a imagem de alguma divindade que será contactada através de alguma oferanda em algum instante do dia. Este blog é meu canto virtual onde buscarei compartilhar meu olhar simbólico pelo mundo.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

18. O Silêncio Primordial

Com certeza estava afetado pela beleza, grandiosidade e história do lugar. Estava onde pesquisadores acreditam ter encontrado os vestígios mais antigos da presença do homem na América. Isso há cerca de 30000 anos atrás. Sempre me interessei em imaginar o som da terra nos primórdios da pré-história, quando a presença do homem ainda estava em harmonia com as outras formas de vida, sem desequilíbrios. Naturalmente com a morte de representantes individuais, mas sem a ameaça a espécies inteiras. Pois bem. Após subir um desfiladeiro no Parque Nacional da Serra da Capivara, no sul do Piauí, eu pude ouvir este som. Lá de cima percebi o ruído do silêncio da pré-história! Na beira do penhasco, olhando o horizonte tive a certeza que era o mesmo silêncio primordial atravessando os milênios. Os cientistas buscam captar o som da explosão original do Big Bang. Não preciso deste. Naquele lugar, "ouvindo" aquilo, me senti contemporâneo dos primeiros habitantes da nossa terra. Isso já foi suficiente para me emocionar.



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